Oito estações, oito corridas. Um formato que testa não só a força, mas a capacidade de gerir o esforço e manter o foco.
2 de Maio. FIL, Lisboa. 1:40:33.
Cheguei ao Parque das Nações com a pulseira no tornozelo e uma mistura de ansiedade e adrenalina que não conseguia controlar. À minha volta, centenas de atletas a aquecer, a alongar, a conversar com uma leveza que eu ainda não conseguia ter. Para eles, aquilo era rotina. Para mim, era território desconhecido.
O HYROX chegou a Portugal com uma força que poucos esperavam. De evento de nicho para fenómeno global em poucos anos — hoje acontece em dezenas de países, atrai centenas de milhares de participantes, e tornou-se numa das maiores marcas do fitness competitivo do mundo. Oito estações, oito corridas. Um formato que testa não só a força, mas a capacidade de gerir o esforço e manter o foco.

A febre que ninguém viu chegar
Há cinco anos, se dissesses "HYROX" em Portugal, a maior parte das pessoas encolhia os ombros. Hoje, as inscrições esgotam em horas. O FIL estava cheio — não de profissionais, mas de pessoas comuns que decidiram que queriam mais do que uma corrida normal.
E isso diz muito sobre o momento que estamos a viver.
O consumo de álcool atingiu em 2025 o valor mais baixo em quase 90 anos de registos — apenas 54% dos americanos afirmam beber álcool, contra 67% em 2022. Entre os jovens com menos de 35 anos, a percentagem de quem diz consumir álcool caiu dez pontos percentuais em duas décadas. Geração atrás de geração, estamos a fazer escolhas diferentes. E o HYROX é o símbolo mais visível dessa mudança.
As pessoas não estão apenas a beber menos — estão a canalizar essa energia para outra coisa. Para o treino. Para a competição. Para estarem numa arena a apoiar desconhecidos a ultrapassarem os seus próprios limites.
O ambiente que ninguém te conta
Entrei na pista sem saber bem o que esperar. Saí com a certeza de que aquele é um dos ambientes mais positivos em que já estive.
Não há rivalidade negativa. Não há julgamento. Há pessoas a gritar pelo nome de quem não conhecem, a bater palmas a atletas que estão no seu limite, a partilhar o sofrimento com um sorriso. É competição no melhor sentido da palavra — cada um contra si próprio, mas ninguém sozinho.

1:40:33 — e o que isso me ensinou
O meu resultado ficou muito longe do que imaginava. E foi a melhor coisa que podia ter acontecido.
Comecei a minha jornada no desporto há pouco mais de dois anos. As pessoas que vi naquela arena fazem isto há décadas. Têm uma relação com o seu corpo, com o esforço e com o desconforto que eu ainda estou a construir. Ver isso ao vivo foi simultaneamente humilhante e inspirador.
A certeza de que o que distingue estes atletas não é o talento — é a clareza com que executam o plano quando o corpo quer parar. É a consistência de anos e anos de trabalho que ninguém vê.

Vou voltar. Com mais preparação, mais respeito pelo processo e mais vontade de ser uma dessas pessoas que parece não ter limite.
